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Kardec relata que
o povo da antiguidade não estava preparado para se comunicar com os
mortos. Além disso, este tipo de comunicação era usada para adivinhações
e charlatanismo. |
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A
proibição de Moisés era assaz justa, porque a evocação dos mortos não se
originava nos sentimentos de respeito, afeição ou piedade para com eles,
sendo antes um recurso para adivinhações, tal como nos augúrios e
presságios explorados pelo charlatanismo e pela superstição. Essas
práticas, ao que parece, também eram objeto de negócio, e Moisés, por
mais que fizesse, não conseguiu desentranhá-las dos costumes populares
(KARDEC, 2007, p. 168). |
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O contato com
os mortos era feito indiscriminadamente, por motivações adivinhadoras,
sendo o que levou Saul a uma necromante no livro
I Samuel 28. Muitas das vezes
explorando-se a ingenuidade ou ignorância das pessoas, originando no final
das contas uma forma de comércio. Qualquer um poderia (e hoje ainda pode)
se proclamar vidente e cobrar "pequenas" taxas para "descobrir" o futuro
das pessoas. Tal não é a natureza dos contatos com o plano espiritual
realizados por médiuns espíritas. Vê-se que tal proibição era uma norma
adequada a uma determinada sociedade, não sendo por isso necessária sua
adoção por todos os outros povos por toda a eternidade. Muito menos é
comparável a natureza do povo hebreu à época, em suas intenções no contato
com os mortos. O Espiritismo veio mostrar o objetivo exclusivamente moral,
consolador e religioso das relações de além-túmulo, já que os espíritas
não interrogam os mortos para conhecerem o futuro; repudiam todo tráfico
da faculdade que alguns receberam de se comunicarem com os espíritos e não
estão movidos nem pela curiosidade nem pela cobiça, mas por um sentimento
piedoso e pelo único desejo de se instruírem, de se melhorarem e de
aliviarem as almas sofredoras. Esse é um conceito encontrado no livro
espírita O Céu e o Inferno. |
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Comentando I Samuel 28 |
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No Cristianismo |
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Esta
passagem no livro de Samuel é muito polêmica, por isso temos que ressaltar
algumas questões interessantes. Primeira: o rei Saul perdera a graça de
Deus como podemos ver no livro de primeiro Samuel capítulo 28 verso 6, e
também no capítulo 15 verso 23. Saul entrou em pânico porque os filisteus
haviam acampado em Suném (onze quilômetros a leste de Megido) e estavam
prontos a guerrear contra os israelitas na planície de Jezreel, onde suas
armas sofisticadas podiam ser usadas com mais vantagens para esmagar os
israelitas. Segundo: a médium declarou ver um vulto subindo da terra, não
afirmando ser Samuel. É necessário ler de forma cuidadosa no capítulo 28
verso 13 e 14, que Saul entendeu
(e não a Bíblia que disse) que era Samuel, por causa de sua aflição diante
da guerra que teria que enfrentar. Muitas vezes diante do desespero o
homem busca respostas aonde não deve, criando e imaginando coisas para
satisfação do seu próprio ego, pela facilidade que encontra para os seus
questionamentos. Deve-se ressaltar que toda dádiva e tudo que é bom vêm de
cima e não de baixo, como afirmou a pitonisa. Alguns textos mostram que
tudo que é bom vem de cima e não de baixo, leiam com atenção a carta de
Tiago capítulo 1 verso 17 que mostra que tudo que é bom vem de cima. No
evangelho de João capítulo 3 verso 13 vemos a menção de que Jesus Cristo
desceu do céu; no mesmo evangelho capítulo 6 verso 41 menciona o pão que
desceu do céu. Agora é necessário citar o que vem de baixo como é tratado
pelo Cristianismo. No livro de Isaías capítulo 29 verso 4 faz menção que a
voz que vem de baixo é como de um feiticeiro; No livro de Isaías no
capítulo 14 verso 12 mostra que a estrela da manhã caiu do céu e era
alguém que quis ser mais do que Deus; em Apocalipse capítulo 17 verso 8
menciona a besta que subirá do abismo. Portanto, podemos entender que,
aquilo que vem de baixo é ruim e o que vem de cima é bom e verdadeiro. Não
se pode conceber que Samuel, enquanto vivo e um homem santo, depois de
morto pudesse obedecer a uma mulher abominável para prática proibida por
Deus. No livro de Deuteronômio capítulo 18 versos 11 e 12 Deus proibiu a
feitiçaria e consulta aos mortos. |
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Não se achará entre ti quem faça
passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem
adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro,
nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante,
nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois
todo aquele que faz tal coisa é abominação ao
SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu
Deus, os lança de diante de ti. |
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Ele não poderia concordar que Saul fosse buscar Samuel depois de morto
através de uma feiticeira. Deus não muda de opinião, Ele mesmo fala
através da carta de Tiago capítulo 1 verso 17. A conseqüência do passo
errado de Saul no primeiro livro de I Crônicas capítulo 10 verso 13 mostra
que sua morte foi pela transgressão cometida contra ao Senhor e consulta a
uma necromante. Com relação às profecias feitas pelo “pseudo Samuel” de
acordo com o livro de Deuteronômio capítulo 18 verso 22 devem ser
julgadas. E as tais profecias declaradas pelo “pseudo Samuel" no livro de
I Samuel capítulo 28 verso 19 não foram cumpridas. Vejamos: contradizendo
o falso Samuel, Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus, Saul se
suicidou, conforme relato no livro de I Samuel capítulo 31 verso 4.
Morreriam todos os filhos de Saul, porém morreram apenas três filhos, o
que consta no livro de I Crônicas capítulo 10 verso 2, e os demais ficaram
vivos, um até se tornou rei de Israel (ver o livro de II Samuel capítulo 2
verso 8), no livro de II Samuel capítulo 21 verso 8 ainda pode ser visto
uma filha de Saul viva pós suicídio. Podemos então constatar que tudo que
ouve no livro de I Samuel 28 não foi direcionado por Deus, foi um desejo
humano em que um demônio foi usado através de uma médium para satisfazer
esses desejos, porém desejos não satisfeitos, pois Deus não se deixa
escarnecer e não divide sua glória com ninguém. |
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