Versículo

1.1 - Caracterizando uma Religião

1.2 - Caracterizando uma Seita

1 - O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO OU UMA SEITA?

            Para entender se o espiritismo é uma religião, faz-se necessário saber o que é religião. Cabral (1986, p.11) afirma que o homem é um ser religioso: “Deus já o fez assim e onde quer que se encontrem seres humanos encontram-se vestígios de religião”. A palavra "religião" vem do latim "religare" e, na sua essência significa "ligar-se novamente", transmitindo a idéia de que o homem está separado.

           Uma seita é considerada como tal, a partir de sua fundamentação em heresias. Existem, porém alguns aspectos comuns entre as seitas, tais como: Jesus não é o centro das atenções, apresentam outras fontes doutrinárias além da Bíblia, ensinam o homem a desenvolver sua própria salvação, entre outros.

           Com uma visão geral, pode-se dizer que os autores espíritas apresentam o espiritismo como uma religião, ciência ou filosofia. Em contrapartida, os autores cristãos fazem referência dele como seita ou seita-religião. Para tanto, definir-se-á a seguir os conceitos de uma seita e de uma religião.


1.1 - Caracterizando uma Religião

          Conforme Damião (2005), a palavra religião apresenta vários aspectos na sua conceituação, como uma definição etimológica, onde refere haver discordância no significado que seja universalmente aceito; uma definição genérica, ou seja, não existe uma definição absolutamente determinada. Há, porém, conceitos gerais sobre a palavra, não identificando seu significado real e por último, uma definição filosófica, os quais estão relacionados com o tipo de corrente filosófica que representam. 

          A Bíblia, a Palavra de Deus, mostra como aconteceu a separação entre o homem e seu criador no texto de Gênesis 3:1-24 e desde então existe a necessidade natural do ser humano se voltar para Deus. “A verdadeira religião, portanto é aquela que através dos seus ensinamentos leva o homem a voltar-se para Deus, o criador e mantenedor de todas as coisas” (CABRAL, 1986, p. 11). 

          Damião (2005) afirma que nas religiões Deus é o Ser supremo e aquele que criou todas as coisas. No monoteísmo, tudo se iniciou com um único Deus cujos atributos são: onipotente, onipresente e onisciente, santo, eterno, entre outros. É reconhecido apenas como uma Divindade Suprema, que originou o mundo e governa de longe toda a humanidade.  

        De acordo com Damião (2005), o surgimento das várias correntes religiosas politeístas se deu em razão do afastamento do homem deste único Deus pregado pelos monoteístas. A partir de então, começam a ser observadas as substituições do Deus único por “espíritos menores e deuses mais acessíveis” (DAMIÃO, 2005, p. 24).

           O espiritismo afirma primeiramente não ser uma religião. Conforme descreve Kardec (2007), refere que:

Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião; e a prova disso é que ele conta entre os seus aderentes homens de todas as crenças, que por esse fato não renunciaram à suas convicções: católicos fervorosos que não deixam de praticar todos os deveres do seu culto, quando a Igreja os não repele; protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos e mesmo budistas e bramanistas (p. 145). 

            Pode-se fazer uma correlação com outra referência bibliográfica do mesmo autor que contradiz completamente o texto acima, afirmando ser o espiritismo não só uma religião, mas a verdadeira religião (KARDEC, 2006, p. 331).

Instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai diretamente a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar.

Topo da página


1.2 - Caracterizando uma Seita

Com relação ao conceito de seitas, Geisler & Rhodes (2006), informam não haver concordância entre autores. Há sim, três características fundamentais a fim de reconhecê-las. Lembrando que estas não se manifestam em todas as seitas. São elas: características doutrinárias, sociológicas e morais.

 

         Entre as características doutrinárias, as seitas negam a Bíblia como autoridade única. Apresentam literaturas substitutivas à Bíblia que norteiam as posturas doutrinárias daquela seita. Dão ênfase também a uma visão distorcida de Deus e de Jesus, negam a salvação pela graça e afirmam que seus líderes recebem revelações diretas de Deus, se tornando um canal direto de comunicação com Deus.

 

Segundo Geisler & Rhodes (2006) as características sociológicas são: o autoritarismo, onde a figura da autoridade utiliza técnicas de controle mental sobre seus membros; o exclusivismo, demonstrando que somente aquela seita tem verdade; o dogmatismo de forma institucional; mentes fechadas, entre outras.

 

Nas características morais incluem o legalismo, estabelecendo um conjunto de regras rigorosas; a perversão sexual, o abuso físico e a intolerância para com as outras pessoas, que se manifesta a partir de hostilidade, culminando algumas vezes com assassinato.

 

Não há referências espíritas que denominem o espiritismo como uma seita, apenas uma contradição já mencionada em ser ou não uma religião. Cabral (1986), contudo, cita o espiritismo como uma seita-religião.

Livros e mais livros têm sido escritos sobre o espiritismo nos seus diversos aspectos. O povo evangélico brasileiro, particularmente, dispõe de algumas obras significantes quanto à história, doutrinas e refutações bíblicas no que se refere a essa seita-religião que de acordo com as denominações que recebe, mostra a manifestação de satanás no meio do "seu povo" (p. 119).

Topo da página