Kardec (2007) afirma que Deus está muito longe e o homem
só pode alcançá-lo atingindo a perfeição.
Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela
sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.
A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a
natureza íntima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde
muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribuem; mas, à
medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensamento penetra
melhor no âmago das coisas; então, faz idéia mais justa da Divindade e,
ainda que sempre incompleta, mais conforme a sã razão (p. 68).
B) Deus Filho
Kardec (2006) coloca de forma clara que o espiritismo não
crê que Jesus Cristo seja Deus. Na verdade relata que Jesus é um
espírito perfeito, o governador da terra. Ainda descreve no livro “Obras
Póstumas”:
Desde que ele nada diz de si mesmo; que a doutrina que
prega não é sua, que ela lhe veio de Deus, que lhe ordenou viesse dá-la
a conhecer; que não faz senão o que Deus lhe deu o poder de fazer; que a
verdade que ensina ele a aprendeu de Deus, a cuja vontade se acha
sujeito, é que ele não é Deus, mas, apenas, seu enviado, seu messias e
seu subordinado (p. 147).
Na mesma obra, afirma ainda que:
Se Jesus, ao morrer, entrega sua
alma às mãos de Deus, é que ele tinha uma alma
distinta de Deus, submissa a Deus. Logo, ele não
era Deus (p. 150).
C) Deus
Espírito Santo
O espiritismo não crê que o Espírito Santo seja Deus,
antes ensina que ele é a terceira revelação e que seria o próprio
espiritismo. Daí o espírito que se revelou a Allan Kardec chamar-se
Espírito de Verdade.
A lei do
Antigo Testamento
teve em Moisés a
sua personificação; a do Novo
Testamento tem-na no Cristo.
O Espiritismo é a terceira revelação da lei de
Deus,
mas não tem a personificá-la nenhuma
individualidade,
porque é fruto do ensino dado,
não por um homem, sim
pelos Espíritos, que são as vozes
do Céu, em todos os
pontos da Terra, com o concurso
de uma multidão inumerável
de intermediários. É, de certa maneira, um ser
coletivo, formado pelo conjunto dos seres do
mundo espiritual, cada
um dos quais traz o tributo de
suas luzes aos homens,
para lhes tornar conhecido esse
mundo e a sorte que os
espera (KARDEC, 2006, p. 59 e
60).
Langston (1999) relata que o termo Trindade é geralmente usado para
expressar dois pensamentos diferentes. O primeiro é a idéia de que a
Trindade é a tríplice manifestação de Deus como Pai, como Filho e como
Espírito Santo. E o segundo se refere à existência de três em um.
Apesar de haver três formas distintas, não há três deuses e sim apenas
um único Deus, o que se resume no termo Triunidade.
O termo trindade é usado, geralmente, para exprimir duas
idéias bem distintas e até diferentes: refere-se uma propriamente à
tríplice manifestação de Deus, e a outra, ao seu modo triúno de existir.
Mas estas duas idéias, apesar da relação íntima que entre elas existe,
são tão diferentes que podem causar confusão quando expressas por uma só
palavra. Tão grande é a diferença de sentido entre elas que achamos por
bem dar a cada qual uma designação própria. Vamos, portanto, na
discussão da doutrina da Trindade, designar por termos diversos a idéia
da tríplice manifestação de Deus e a do seu modo triúno de existir. No
estudo que ora fazemos, deste assunto, a palavra Trindade significará a
tríplice manifestação de Deus ou a sua manifestação no Pai, no Filho e
no Espírito Santo; e o termo Triunidade, o tríplice modo da existência
de Deus, que é a existência de três em um. (p. 112).
Como podem três
pessoas formar apenas uma? Esta pergunta é muitas vezes citada para negar
Triunidade de Deus. Entretanto, a própria natureza nos fornece provas de
que isso é perfeitamente possível. A água é uma molécula formada por três
átomos, dois de hidrogênio e um átomo de oxigênio. Apesar de ser formada
por três elementos, a visualizamos como um único elemento. Segundo a
enciclopédia Barsa (1993) as cores primárias (vermelho, azul e verde)
unidas formam uma única cor: a cor branca. São exemplos que permite a
afirmação de que um pode ser formado por três partes distintas.
A) Deus Pai
Para todas
as religiões existe o criador de todas as coisas que é Deus. O
cristianismo também pensa assim, comprovando com o texto bíblico de Isaías
capítulo 42 verso 5: “Assim diz Deus, o SENHOR, que criou os céus e os
estendeu, formou a terra e a tudo quanto produz; que dá fôlego de vida ao
povo que nela está e o espírito aos que andam nela”.
O
cristianismo ressalta a importante crença que Deus não
está longe de cada um de nós, corroborada pelo texto bíblico contido no
livro de Atos capítulo 17, verso 27, onde diz: “para
buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está
longe de cada um de nós”. Segundo o dicionário da Bíblia de
Almeida (Bíblia Online) “Deus é o Ser supremo, único, infinito, criador e
sustentador do universo”. O livro de Gênesis
capítulo 1 verso 1 mostra que existe um Deus que desde o princípio
criou os céus e a terra, e antes de todas as coisas Ele já existia. E que
de eternidade em eternidade Ele existirá conforme o relato de Salmos 90 verso 2;
“Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”.
Segundo o cristianismo Jesus Cristo é Deus. “No princípio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Descrição
encontrada no evangelho de João capítulo 1 verso 1. Ele é co-igual
ao Pai. “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo,
porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era
seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”, conforme o evangelista
João no capítulo 5 verso 18 nos afirma e corrobora no capítulo 14
verso 10 quando diz: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está
em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas
o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou
no Pai, e o Pai, em mim; crede ao menos por causa das mesmas
obras”. Jesus viveu uma vida humana sem pecado e se ofereceu a si
mesmo, morrendo na cruz, como sacrifício perfeito pelos pecados de
todos os povos. “Porque não temos sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas
as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado, Hebreus
capítulo 4 verso 15 faz este relato mostrando que Jesus Cristo é
homem, porém sem pecado. Ele ressuscitou dos mortos depois de três
dias, para demonstrar o seu poder sobre o pecado e a morte. Ele é
Deus, Ele criou todas as coisas. “Todas as coisas foram feitas por
intermédio dEle, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” afirma
João capítulo 1 verso 3. Ele participou da sua própria criação. “E o
Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade,
e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”, conforme
João capítulo 1 verso 14. Ele subiu a glória do céu e voltará a
terra nas nuvens para arrebatar (levar) sua igreja. O apóstolo Paulo
coloca em sua carta aos Colossenses Jesus Cristo como o verbo que
estava no princípio com Deus, todas as coisas foram criadas por Ele
e para Ele. O Livro do cristianismo, a Bíblia sagrada, identifica
Jesus Cristo como sendo o verdadeiro Deus e a vida eterna. “Também
sabemos que o Filho de Deus é vindo e nos tem dado entendimento para
reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho,
Jesus Cristo”. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.” Este
destaque encerra qualquer dúvida sobre a deidade do Senhor Jesus
Cristo registrado de forma contundente na epístola de primeira
João capítulo 5 verso 20.
O Espírito Santo é co-igual ao Pai e ao Filho. ”Ide,
portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do
Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Nessa ordenança registrada no
evangelho de Mateus capítulo 28 verso 19 identifica-se a presença dos
três. Ele está presente no mundo para despertar a consciência dos
homens para a necessidade de Jesus Cristo; passa a habitar em cada
cristão a partir da conversão; dá poder para o viver cristão,
entendimento das verdades espirituais e direção para as escolhas do que
é certo; dá a todos os crentes os dons espirituais. Os cristãos devem
procurar viver sob seu controle. Na carta a Igreja em Eféso, capítulo 1
verso 13, o Espírito Santo é identificado como o selo da promessa. “Em
quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o
evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados
com o Espírito Santo da promessa”. O Espírito Santo é Deus, o Espírito
Santo é a Verdade. Na primeira epístola de João capítulo 5 verso 6, ou
dependendo da versão analisada, encontra-se no verso 7; mostra que o
Espírito e Jesus Cristo são a mesma pessoa e que Ele dá testemunho
porque é a verdade. É o Espírito Santo quem nos faz lembrar e nos ensina
todas as coisas concernentes à Bíblia. “Mas o Consolador, o Espírito
Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as
coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”. Este texto está
destacado no evangelho de João capítulo 14 verso 26. No livro de Jó
capítulo 33 verso 4 pode-se observar que o Espírito Santo também
participa da criação do homem, ”O Espírito de Deus me fez; e a
inspiração do Todo-Poderoso me deu vida”. Em Atos capítulo 5 versos 3 e
4 mostram que o Espírito Santo e Deus Pai são o mesmo, quando Ananias
mentiu para o Espírito santo e mentiu para Deus. “Disse, então, Pedro:
Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao
Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a, não
ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste
este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus”. O
Espírito Santo também nos dá garantia (penhor) da vida eterna. “O qual é
o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da
sua glória”, conforme a carta aos Efésios capítulo 1 verso 14.